
A Ford do Brasil, no início dos anos 70, havia adquirido a Marca Willys, que possuía, no segmento de automóveis médios/grandes, apenas o antiquado Aero/Itamaraty e o projeto do Corcel que não entravam na disputa (briga) com seus concorrentes diretos de Mercado.
Diante de tal situação e, objetivando o aproveitamento de algum dos seus projetos já existentes até mesmo em outros países, no final do primeiro semestre de 1971, realizou uma pesquisa de Mercado denominada de Clínica (nome dado ao evento em que os clientes se reúnem, mediante convite sigiloso e formal da empresa interessada, para opinar livremente sobre o produto em demonstração) com 1300 potenciais consumidores a fim de identificar os futuros veículos da marca.
Disposição dos veículos durante a clínica – Quatro Rodas, set/71.
Um dos pontos fortes da “clínica”, e em cumprimento a acordo de colaboração para pesquisa de Mercado, foi a cessão por parte da GM, de dois automóveis Opala, um Sedã e um Cupê, este último já com a nova frente que seria lançada somente, no mês de setembro do mesmo ano (1971), devidamente coberta para não ser identificada. Os convidados para “clínica” eram orientados a imaginar o Opala com a frente conhecida e, assim mesmo, compará-lo com os demais veículos da pesquisa. Todos os carros foram levados secretamente para o interior do Clube Atlético Paulistano, em São Paulo, e dispostos em círculo.
Segundo conta a história, o vencedor – o eleito – da “clínica” foi o Maverick. Porém, outras fontes de consulta indicam a vitória do projeto MH (Taurus alemão), mas verificou-se que o motor planejado para equipar o novo carro, o Willys de 6 cilindros não cabia no compartimento. E, outro agravante foi que a fábrica de motores da Ford na cidade de Taubaté/SP só ficaria pronta em 1975.
Por outro lado, há quem diga que a escolha do Maverick já era definitiva e que a “clínica” serviria apenas para ratificar a decisão da montadora.
Importante ressaltar que o Maverick já havia sido lançado e alcançado sucesso em outros Países, tais como: Estados Unidos, Canadá e México.
Antes da realização da “clínica de opiniões”, um Maverick americano azul-claro, quatro portas, circulava livremente pelas áreas internas da fábrica Ford, veículo este emprestado pela Embaixada norte-americana, para que as equipes de engenharia pudessem compará-lo com o GM/Opala. E, antes do mês de junho de 1971, outros Mavericks foram importados pela Ford do Brasil para testes comparativos e o veículo da Embaixada pudesse ser devolvido.

Pátio da montadora Ford com os protótipos americanos do Maverick sendo testados – Quatro Rodas abr/72.
No mês de fevereiro de 1972, chegavam a São Paulo 7 Mavericks importados da Matriz, para início definitivo dos testes de adaptação às condições e ao clima brasileiro. No lote importado vieram os modelos Sedãs, Cupês (nas cores branca e amarela) e o esportivo Grabber (vermelho), este em duas unidades.
Em 27 de fevereiro de 1972, chegou ao Brasil o presidente mundial da Ford, Lee Iacocca, para, junto com a Diretoria da Ford do Brasil, definirem os rumos da nova linha.
No dia 2 de março de 1972, Lee Iacocca se reuniu em Brasília com o Presidente da República, o General Garrastazu Médici, de quem obteve a permissão para a produção do Maverick no Brasil, além de anunciar um investimento de US$ 150 milhões para a construção de uma fábrica de motores.

Finalmente, em 4 de junho de 1973 o Maverick é lançado no Brasil após terem rodado, segundo Nelson Ott , “mais de um milhão de quilômetros em testes, 60% dos quais em estradas secundárias e caminhos de terra do interior. Além disso, o sistema de freios e embreagem foram exaustivamente testados em trechos urbanos dentro da cidade de São Paulo”.

Maverick, ano 1973, equipado com o motor 6 cilindros derivado do antigo Itamaraty.

Maverick GT, equipado com o motor V-8 302 de 5 litros e 197 cv (o mesmo do Mustang Americano).
E, dezesseis dias após, em 20 de junho de 1973, na cidade do Rio de Janeiro, ocorreu o lançamento oficial do Maverick, o que foi novidade, pois nenhuma montadora tinha apresentado um veículo novo ao público fora de São Paulo. O evento teve duração de 3 dias e começou com uma coletiva à imprensa no Hotel Nacional, com a presença de toda Diretoria envolvida no desenvolvimento do carro. A Ford, em seguida, levou ao Autódromo Internacional do Rio de Janeiro, em Jacarepaguá, 140 jornalistas e nove Mavericks (6 com o motor de 6 cilindros e 3 com o motor V8), para que pudessem realizar um test-drive pelo anel externo do Autódromo. Ao final do evento de lançamento, foi realizada a 1.ª Copa Maverick com participação de 40 jornalistas que participaram de uma prova de Slalom. Em seguida, um churrasco de confraternização e um jantar no Restaurante Canecão, encerrando o lançamento.
Enfim, conhecendo um pouco melhor a história do lendário lançamento da Ford, o Maverick, passamos a compreender alguns dos motivos que os levaram a ser cultuado, até hoje, por diversas gerações de várias faixas etárias.
Abraço a todos, e até a próxima…
Fontes de consulta: Livros, enciclopédias, periódicos, revistas e artigos publicados na Internet.